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Tsunami democrata nos EUA: rejeição a Trump e guerra no Irã explicam vitória histórica

Tsunami democrata nos EUA: rejeição a Trump e guerra no Irã explicam vitória histórica

O Partido Democrata conquistou uma vitória histórica nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3 de novembro). A legenda conseguiu controlar as duas Casas do Congresso e avançou sobre redutos tradicionalmente republicanos, em um resultado apelidado de tsunami democrata.

A vitória foi impulsionada por múltiplos fatores. A rejeição às políticas de Donald Trump, os impactos econômicos da guerra contra o Irã, a recuperação do apoio entre eleitores latinos e a mobilização de novos candidatos democratas foram determinantes para o resultado. Os democratas conquistaram ainda 28 governos estaduais, incluindo vitórias em territórios historicamente republicanos como Texas e Kansas.

Desgaste econômico e baixa popularidade

Especialistas apontam o desgaste da administração Trump como explicação central. A combinação de inflação, aumento dos preços da energia, tarifas comerciais e endurecimento das políticas migratórias afastou eleitores que apoiaram o republicano em 2024. Em outubro, a aprovação do presidente chegou a 31%, o menor índice do segundo mandato até então.

O cientista político Frederico Bertholini Santos Rodrigues, professor adjunto do Instituto de Ciência Política da UnB, definiu o resultado como basicamente uma rejeição a Trump. O professor destaca que a dimensão da derrota foi ampliada pelas vitórias democratas em territórios com dificuldades históricas. No Kansas, por exemplo, os democratas conquistaram uma disputa para o Senado pela primeira vez desde 1932.

O cientista político André Rosa avalia que o desgaste não se restringiu às decisões internas. A condução das relações diplomáticas e comerciais também contribuiu para a desconfiança do eleitorado na política externa de Trump.

Guerra no Irã impactou bolso dos eleitores

Os efeitos econômicos do conflito entre EUA e Irã chegaram diretamente ao orçamento das famílias. A pressão sobre o mercado de petróleo encareceu combustíveis e produtos, enquanto o aumento dos custos de energia repercutiu nos preços de alimentos e serviços.

O vice-presidente JD Vance reconheceu o peso da guerra na derrota republicana. Em sua primeira manifestação após o resultado, atribuiu ao conflito a perda de apoio nas urnas, declarando: A razão pela qual perdemos é a guerra.

Entretanto, o professor Lucas Portela, de Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília, avalia que não é possível atribuir a derrota exclusivamente ao conflito. A guerra influenciou principalmente por seus efeitos indiretos sobre a economia. A política tarifária do governo também contribuiu para pressionar os preços, agravando as dificuldades dos consumidores.

Fonte: Metropoles Mundo

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