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Miguel Vázquez: quem é o dono do banco Ueno no escândalo do Paraguai

Miguel Vázquez: quem é o dono do banco Ueno no escândalo do Paraguai

O jovem empresário Federico Miguel Vázquez Villasanti, de 36 anos, é o acionista majoritário do Grupo Vázquez, holding proprietária do Banco Ueno, instituição financeira que foi liquidada pelo Banco Central do Paraguai na semana de 7 de novembro de 2026. O colapso do banco desencadeou uma crise política que resultou na prisão do presidente Santiago Peña após impeachment no Congresso.

Vázquez é empresário de terceira geração. Seu avô materno era proprietário de uma concessionária Mercedes-Benz, enquanto seu pai fundou a Credicentro na década de 1980. Filho único, ele estudou Administração de Empresas em universidades americanas de prestígio e consolidou os negócios familiares através de aquisições estratégicas e diversificação de investimentos.

O Grupo Vázquez realizou sua oferta pública inicial na Bolsa de Valores de Assunção em 2012. O verdadeiro crescimento ocorreu em 2021 com a aquisição da Financiera El Comercio. A Credicentro foi renomeada para Ueno Holdings, e a empresa solicitou autorização ao Banco Central para se tornar banco, obtendo aprovação em 2023, durante o governo Peña.

O Banco Ueno se destacou por sua operação quase inteiramente digital e promoções atraentes para clientes. A instituição também ganhou popularidade pelo patrocínio da seleção nacional de futebol paraguaia. Seu crescimento foi explosivo: saiu de meio milhão de usuários em 2023 para mais de 3 milhões em 2026, em um país com população de pouco menos de 6,5 milhões de habitantes. O banco estava em vias de se tornar a primeira empresa paraguaia listada na Bolsa de Valores de Nova York.

Na semana de 7 de novembro, o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno, alegando ter detectado indícios de insolvência. Vázquez se entregou às autoridades e seus bens foram alvo de buscas. Além dele, sete outros executivos do grupo foram colocados à disposição das autoridades para responder por acusações incluindo abuso de confiança, fraude e conduta que levou à falência.

A relação entre Vázquez e Santiago Peña é central no escândalo. Vázquez se referiu a Peña como um “verdadeiro amigo” e revelou que o presidente foi investidor minoritário da Credicentro em 2018. Em sua defesa, Peña alegou ter vendido suas ações na Ueno Holdings em 2025. Após o impeachment aprovado pelo Congresso, um advogado do ex-presidente afirmou que recorreria à Corte Interamericana de Direitos Humanos, argumentando falta de tempo para preparar a defesa.

A situação permanece incerta quanto ao futuro das operações e investimentos remanescentes do Grupo Vázquez. Antes da crise, a empresa de Vázquez também apoiava categorias do automobilismo, incluindo o Campeonato Mundial de Rali (WRC).

Fonte: BBC Brasil

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