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Filho de ativistas do Weather Underground relembra infância fugindo do FBI

Filho de ativistas do Weather Underground relembra infância fugindo do FBI

Zayd Ayers Dohrn viveu uma infância completamente fora dos padrões americanos. Enquanto outras crianças decoravam quartos com personagens da Disney, ele cresceu rodeado por retratos de Che Guevara e Ho Chi Minh, aprendendo desde cedo a identificar policiais infiltrados e agentes federais em multidões.

Seus pais, Bernadine Dohrn e Bill Ayers, eram líderes do Weather Underground, organização radical que realizava campanhas de atentados a bomba contra edifícios simbólicos do governo dos Estados Unidos, como o Capitólio, o Pentágono e o Departamento de Estado. O objetivo era denunciar a desigualdade racial e a injustiça social norte-americana.

Quando Zayd nasceu, sua mãe era uma das fugitivas mais procuradas pelo FBI. A família vivia com identidades falsas, mudava-se constantemente e permanecia em alerta permanente contra o risco de prisão. Frequentar escola primária era impossível. Durante acampamentos familiares, atividades comuns como assar marshmallows eram substituídas por explorações de prisões federais para planejamento de fugas.

Para Zayd, porém, tudo era normal. “Eu sabia que o FBI nos perseguia”, conta ele. “Eles nunca mentiram a esse respeito.” Seus pais explicavam a situação comparando-se a Robin Hood: “Éramos foragidos que roubávamos dos ricos para dar aos pobres”.

Bernadine Dohrn era estudante de Direito da Universidade de Chicago quando se envolveu no ativismo. A chegada do líder Martin Luther King Jr. à cidade em 1966, apoiando ativistas de greves de aluguel, acelerou seu envolvimento. O assassinato de King, seguido do tiroteio policial fatal contra Fred Hampton, líder dos Panteras Negras em 1969, aprofundou sua radicalização.

Bill Ayers entrou no movimento inicialmente pela oposição ao serviço militar obrigatório e à Guerra do Vietnã (1955-1975). O lema do grupo era “trazer a guerra para casa”, recriando a violência vietnamita nas ruas americanas para conscientizar a população sobre as ações externas e internas do governo.

Segundo Zayd, a capacidade do grupo de colocar explosivos em edifícios governamentais altamente protegidos aproveitava-se de preconceitos: mulheres se passavam por secretárias para coletar informações e posicionar dispositivos em locais estratégicos, frequentemente nos banheiros femininos. Pessoas brancas, instruídas e eloquentes circulavam nesses espaços sem despertar suspeitas.

O FBI classificou o Weather Underground como organização terrorista nacional. A história de Zayd oferece uma perspectiva rara sobre a vida de crianças de ativistas radicais durante um dos períodos mais turbulentos da história americana.

Fonte: BBC Brasil

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