Paraguai: MP indicia Peña e ex-chefe do BC por fraude bancária
O Ministério Público do Paraguai indiciou neste sábado (7 de novembro) o ex-presidente Santiago Peña e o ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo por crimes relacionados à crise do Ueno Bank. A promotoria solicitou a manutenção das prisões de ambos e a conversão em preventivas.
Peña foi detido na noite de sexta-feira (6 de novembro), após o Congresso paraguaio finalizar o processo de impeachment desencadeado pela crise bancária que afeta o país. Carvallo se entregou voluntariamente à polícia em Assunção. No sábado pela manhã, o ex-presidente compareceu à sede do Ministério Público para depoimento.
As acusações
Segundo a promotoria, Peña é acusado de fraude na alocação de recursos públicos e interferência na fiscalização do Ueno Bank em benefício próprio. Um fundo vinculado ao ex-presidente era detentor da instituição financeira, que sofreu intervenção do Banco Central e encerrou operações no início de novembro. A investigação aponta que Peña teria interferido na fiscalização regulatória e influenciado a transferência de aportes de previdências públicas para o banco, que poderiam totalizar US$ 850 milhões.
Carlos Carvallo é acusado de fabricar documentos falsos sobre a situação do Ueno Bank e agir em benefício próprio, uma vez que também possui ligações com a instituição digital.
Contexto da crise
O Banco Central do Paraguai determinou a liquidação do Ueno Bank na terça-feira (3 de novembro), considerando-o insolvente. O banco atendia aproximadamente 40% da população paraguaia. Após a intervenção, o acesso aos recursos foi suspenso, gerando protestos nas ruas. A instituição recebeu depósitos de órgãos públicos na ordem de US$ 850 milhões após Peña assumir a presidência em 2023, período em que ainda era acionista de empresa ligada ao banco até março de 2025.
Desfecho político
Diante da crise, a base governista de Peña apoiou o impeachment. O ex-presidente se antecipou e renunciou ao cargo, justificando a decisão pela estabilidade do país e preservação das instituições democráticas. O vice-presidente Pedro Alliana foi empossado na sexta-feira e assume o comando executivo do Paraguai.
Fonte: Metrópoles Mundo
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