Santiago Peña não comparece a julgamento de impeachment no Paraguai
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, não esteve presente à sessão do Congresso paraguaio na manhã desta sexta-feira (6 de novembro de 2026) para apresentar sua defesa no processo de impeachment. O mandatário foi representado por seus advogados durante o julgamento político que pode resultar em sua destituição.
Peña continua formalmente no cargo apesar de ter anunciado sua renúncia na quinta-feira (5/11). A defesa do presidente solicitou ao Senado que aceitasse a renúncia e encerrasse o processo de destituição. No Paraguai, a renúncia presidencial requer aprovação do Congresso. Entretanto, o legislativo paraguaio não votou a renúncia e decidiu abrir procedimento de impeachment.
Parlamentares da oposição se opõem à aceitação da renúncia para impedir que Peña obtenha foro constitucional como ex-presidente e senador vitalício. Adolfo Ferreiro, um dos advogados que representam o presidente, questionou o curto prazo para preparar a defesa e afirmou que Peña recorrerá à Corte Interamericana de Direitos Humanos se for destituído.
Na quinta-feira, Peña solicitou prorrogação de 72 horas para se preparar, alegando ter recebido denúncia com 15 páginas e aproximadamente 300 páginas de anexos. O Senado negou o pedido com 39 votos contra e apenas 3 a favor. A Câmara dos Deputados havia aprovado a acusação contra Peña com 78 votos.
Para remover definitivamente o presidente, são necessários votos favoráveis de dois terços dos 45 senadores, ou seja, no mínimo 30 votos. Se condenado, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o cargo até o término do mandato em agosto de 2028. A Câmara dos Deputados rejeitou pedido de impeachment contra Alliana com 48 votos contra 30.
A crise política começou com a intervenção do Banco Central no Ueno Bank no início da semana. A instituição apresentava índice de solvência inferior à metade do mínimo exigido por lei. O banco administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos e possuía cerca de 3 milhões de clientes. Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025.
Fonte: BBC Brasil
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