Crise do Ueno Bank ameaça derrubar presidente do Paraguai Santiago Peña
O Paraguai enfrenta uma grave crise política e financeira após o colapso do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras do país. Na quinta-feira (5 de novembro de 2026), o presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia, mas o Congresso paraguaio rejeitou o pedido e optou por iniciar um processo de impeachment contra ele.
Na manhã de sexta-feira (6 de novembro), uma sessão no Senado voltaria a analisar a possibilidade de impeachment do chefe de Estado. Nas redes sociais, Peña informou que exerceria seu direito à defesa durante o processo. A oposição e críticos do presidente defendem o impeachment para que ele responda a possíveis ações judiciais sem o foro privilegiado, benefício que manteria caso a renúncia fosse aceita.
O presidente é acusado de conflito de interesses, uso indevido de fundos públicos e encobrimento de irregularidades relacionadas ao banco. De forma significativa, o próprio Partido Colorado, legenda governista, anunciou apoio ao impeachment, com o ex-presidente Horacio Cartes declarando que não apoiaria desvios de recursos públicos.
A crise teve origem no colapso do Ueno Bank, que cresceu rapidamente e era apresentado como um caso de sucesso do sistema financeiro paraguaio. Em setembro de 2026, a instituição afirmava ter mais de 3 milhões de clientes em um país de 6,5 milhões de habitantes. O banco processava mais de 3 milhões de transações diárias e havia incluído cerca de 140 mil pessoas no sistema financeiro.
Tudo mudou na terça-feira (3 de novembro), quando o Banco Central do Paraguai anunciou o início do processo de dissolução do Ueno Bank após constatar que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido. A situação deixou milhões de clientes sem acesso às suas contas.
O caso ganhou comparação com o colapso do Banco Master no Brasil, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. Tanto o presidente Santiago Peña quanto Carlos Carvallo Spalding, presidente do Banco Central paraguaio, passaram a ser questionados sobre vínculos antigos com o banco e seu grupo empresarial. Peña é considerado um dos expoentes da nova direita na América Latina.
Fonte: BBC Brasil
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