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Lara Resende nega reunião com Lula sobre proposta de conselho fiscal

Lara Resende nega reunião com Lula sobre proposta de conselho fiscal

O economista André Lara Resende negou nesta quarta-feira (5/11) ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre sua proposta de criar um novo órgão para gerenciar as políticas monetária e fiscal brasileira. Segundo o ex-presidente do BNDES, as especulações sobre um possível encontro foram “plantadas” para prejudicar defensores da ideia.

“Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado. Essa notícia foi plantada obviamente para queimar a proposta ou prejudicar alguém que não eu”, afirmou Resende em entrevista à BBC News Brasil.

A polêmica começou após a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) compartilhar, em 28 de outubro, um artigo de Resende publicado em sua newsletter no Substack em setembro. No texto, o economista propõe a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN) que atuaria junto ao Banco Central para definir metas de longo prazo para as políticas fiscal e monetária do país.

O mercado financeiro rapidamente começou a especular que Resende apresentaria a proposta diretamente a Lula, que está analisando nomes para o Ministério da Fazenda. O presidente vem criticando publicamente a elevada taxa Selic, mantida esta semana em 13,75% ao ano pelo Banco Central.

Resende, que também foi diretor do Banco Central entre 1985 e 1986 e um dos formuladores do Plano Real, argumenta que o maior problema da economia brasileira não está nos gastos públicos, mas na alta taxa de juros. Em 2025, o déficit fiscal foi de apenas 0,48% do PIB, conforme dados do Tesouro Nacional.

“Juros altos é um fator concentrador de renda e riqueza. É uma ‘bolsa-rentista’ onde os juros da dívida pública beneficiam principalmente a parcela mais rica da população”, explicou o economista.

O economista enfatiza que a criação do CFMN depende de aprovação do Congresso Nacional, já que o Banco Central não possui autonomia institucional para estabelecer conselhos próprios, apenas comitês consultivos. A proposta visa coordenar expectativas sobre juros e política fiscal em horizonte de longo prazo.

Fonte: BBC Brasil

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