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Crise do Ueno Bank ameaça derrubar presidente do Paraguai

Crise do Ueno Bank ameaça derrubar presidente do Paraguai

O Paraguai atravessa uma grave crise política e financeira após o colapso do Ueno Bank, uma das maiores instituições do país. O presidente Santiago Peña enfrenta um processo de impeachment no Congresso, em meio a acusações de conflito de interesses e irregularidades relacionadas ao banco.

Na quinta-feira (5 de novembro), Peña anunciou sua renúncia, mas o Congresso paraguaio rejeitou o pedido e optou por prosseguir com o impeachment. Uma sessão no Senado foi marcada para sexta-feira (6 de novembro) para analisar novamente a destituição do presidente. Pelas redes sociais, Peña afirmou que exercerá seu direito de defesa ao longo do processo.

A oposição pressionou pelo impeachment para que o presidente possa responder a ações judiciais sem o foro privilegiado, que manteria caso a renúncia fosse aceita. De forma significativa, o próprio Partido Colorado, legenda governista, anunciou apoio ao impeachment. Horacio Cartes, ex-presidente e líder da sigla, declarou que a legenda não apoiaria o desvio de recursos públicos.

O colapso do Ueno Bank ocorreu na terça-feira (3 de novembro), quando o Banco Central do Paraguai anunciou a dissolução da instituição após constatarem que seu índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido. Semanas antes, o banco era apresentado como um grande sucesso do sistema financeiro paraguaio, contando com mais de 3 milhões de clientes em um país de 6,5 milhões de habitantes.

A instituição havia se transformado em banco no final de 2023, após ser uma pequena financeira de tecnologia. Na época, seus dirigentes destacavam que o banco já possuía mais de 500 mil clientes e havia inserido cerca de 140 mil pessoas no sistema financeiro. Apenas dois anos antes dessa transformação, processava milhões de transações diárias.

Peña, apontado como um dos expoentes da nova direita na América Latina, é acusado pela oposição de conflito de interesses, uso indevido de fundos públicos e encobrimento de irregularidades. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo Spalding, também teve seus vínculos antigos com o banco questionados.

A crise do Ueno Bank ganhou comparações no Brasil com o colapso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central brasileiro em novembro de 2025, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. O colapso deixou milhões de clientes paraguaios sem acesso às suas contas, abalando profundamente o setor financeiro e os escalões mais altos do poder político do país.

Fonte: BBC Brasil

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