Papa Leão 14 visita bairro violento de Montevidéu marcado por pobreza
O pontífice esteve em Casavalle, região norte da capital uruguaia, neste sábado (7 de novembro de 2026), para conhecar de perto a realidade de um dos bairros mais vulneráveis do país. A visita chamou atenção internacional para uma área que contrasta drasticamente com a imagem de estabilidade e prosperidade frequentemente associada ao Uruguai.
Violência e desigualdade marcam o cotidiano
Casavalle compreende diversos microbairros com elevada densidade populacional e apresenta índices de homicídios e pobreza significativamente superiores ao restante de Montevidéu. Moradores relatam que tiroteios ocorrem quase todas as noites nas ruas da região, afetando principalmente as crianças e adolescentes que vivem ali.
Silvana de los Santos, residente há 50 anos no local, compartilhou com a BBC a angústia de criar uma filha de 10 anos sob constante ameaça. “Minha filha tem 10 anos e me pergunta: ‘Mãe, o que é isso? São bombas ou…?’. E não tem jeito, chega um momento em que preciso dizer a verdade, porque ela está crescendo”, relatou. Pais frequentemente precisam interromper atividades escolares e resgatar filhos devido a conflitos entre gangues.
Fala do Papa sobre a realidade local
Durante o discurso na paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, construída em 1987, o Papa Leão 14 abordou diretamente as consequências da violência e da desigualdade. “Não podemos passar indiferentes quando sabemos que há crianças no Uruguai que não vão à escola por medo de não voltar. Não podemos silenciar nossa consciência ao constatar que uma mãe não tem meios para alimentar seus filhos”, afirmou o pontífice.
Ele complementou: “Um filho deste país, tão rico em recursos, não deveria ir dormir sem comer, nem deveria abrir mão de receber uma educação e um futuro dignos por causa da insegurança que impera nas ruas. Muito menos deveria sofrer violência a ponto de perder a vida.”
Problemas estruturais visíveis nas ruas
Alejandro Andrada, que liderou uma organização social desativada em Casavalle, aponta para a divisão marcada pela Avenida Italia, que separa a região norte, mais popular, do sul, mais rico. Durante caminhada pela área, identifica esgoto a céu aberto, lixo acumulado e habitações precárias ao lado de casarões históricos construídos por imigrantes espanhóis e italianos décadas atrás.
Histórias chocantes revelam o nível de pobreza extrema. Delmar Sandez, aposentado de 86 anos, testemunhou uma mulher brigando com um cachorro por um macarrão descartado em uma caçamba de lixo. Rodolfo Arévalo, de 67 anos, destaca que roubos são tão frequentes quanto disparos, associando o problema ao tráfico de pasta-base de cocaína e conflitos entre gangues.
Drogas como fator central
Aproximadamente dois terços dos moradores apontam as drogas como um dos principais problemas da região, segundo estudo da Universidade da República publicado em junho de 2026. Os confrontos entre grupos ligados ao tráfico são mencionados como preocupação constante pela população.
Fonte: BBC Brasil
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