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Papa Leão 14 visita bairro violento de Montevidéu marcado pela pobreza

Papa Leão 14 visita bairro violento de Montevidéu marcado pela pobreza

O pontífice esteve em Casavalle, região norte da capital uruguaia, neste sábado (7 de novembro), para conhecar de perto a realidade de um dos bairros mais afetados pela violência e desigualdade social do país.

Realidade de tiroteios e medo

Casavalle contrasta drasticamente com a imagem de tranquilidade e prosperidade associada ao Uruguai. Moradores relatam confrontos armados praticamente todas as noites. Silvana de los Santos, residente há 50 anos na região, conta que sua filha de 10 anos questiona os disparos que ouve. Segundo ela, em escolas públicas locais, pais precisam sair correndo para buscar os filhos durante conflitos entre gangues ou tiroteios.

O bairro compreende diversos microbairros com alta densidade populacional e apresenta níveis de homicídios e desigualdade socioeconômica muito superiores ao restante de Montevidéu, conforme apontam vários estudos.

Mensagem do Papa sobre a consciência social

Durante sua visita à paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, fundada em 1987, o Papa Leão 14 abordou as contradições do país. “Não podemos passar indiferentes quando sabemos que há crianças no Uruguai que não vão à escola por medo de não voltar”, afirmou o pontífice diante dos moradores.

“Um filho deste país, tão rico em recursos, não deveria ir dormir sem comer, nem deveria abrir mão de receber uma educação e um futuro dignos por causa da insegurança que impera nas ruas”, continuou, enfatizando que nenhuma criança deveria sofrer violência a ponto de perder a vida.

Divisão social na capital

Alejandro Andrada, de 52 anos, destacou que o Papa vem a Casavalle para lembrar muitos uruguaios sobre a existência de uma realidade diferente do outro lado da Avenida Itália, via que divide Montevidéu entre o norte mais popular e o sul mais abastado. Ao caminhar pela região, observam-se ruas com esgoto a céu aberto, lixo acumulado e moradias precárias contrastando com casas sólidas construídas por imigrantes europeus décadas atrás.

Drogas e violência conectadas

Moradores antigos descrevem cenas de extrema pobreza, incluindo pessoas disputando alimentos em lixeiras com animais. Rodolfo Arévalo, de 67 anos, aponta que roubos são tão frequentes quanto os tiroteios, fenômenos ligados ao tráfico de drogas e confrontos entre gangues. Um estudo da Universidade da República, publicado em junho, revelou que aproximadamente dois terços dos moradores apontam as drogas e a pasta-base de cocaína como principais problemas da região.

A visita papal ressalta a necessidade de ação social e políticas públicas para enfrentar a violência e a pobreza que assolam comunidades vulneráveis no Uruguai.

Fonte: BBC Brasil

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