Papa Leão 14 visita bairro violento de Montevidéu marcado pela pobreza
O pontífice esteve em Casavalle, região norte da capital uruguaia, neste sábado (7 de novembro de 2026), visitando a paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe. O bairro contrasta fortemente com a imagem de tranquilidade e prosperidade frequentemente associada ao Uruguai, apresentando índices de violência e desigualdade socioeconômica muito superiores ao restante de Montevidéu.
Moradora da região há 50 anos, Silvana de los Santos relata à BBC que os tiroteios ocorrem praticamente todas as noites em Casavalle. Ela compartilha a angústia de criar uma filha de 10 anos em um ambiente onde confrontos entre gangues interrompem o funcionamento das escolas públicas, forçando pais a buscarem seus filhos em meio à violência.
Durante seu discurso no local, o Papa Leão 14 abordou diretamente as contradições sociais do país. “Não podemos passar indiferentes quando sabemos que há crianças no Uruguai que não vão à escola por medo de não voltar. Não podemos silenciar nossa consciência ao constatar que uma mãe não tem meios para alimentar seus filhos”, afirmou o pontífice diante dos moradores.
O Papa complementou: “Um filho deste país, tão rico em recursos, não deveria ir dormir sem comer, nem deveria abrir mão de receber uma educação e um futuro dignos por causa da insegurança que impera nas ruas. Muito menos deveria sofrer violência a ponto de perder a vida.”
Casavalle compreende diversos microbairros com alta densidade populacional. Alejandro Andrada, de 52 anos, ex-líder de organização social local, afirma que o Papa vem a Casavalle para lembrar muitos uruguaios que existe vida além da Avenida Itália, a via que divide Montevidéu entre o norte popular e o sul mais rico. Andrada aponta para ruas com saneamento deficiente e acúmulo de lixo, caracterizando a situação como violência estrutural.
Os preparativos para receber o pontífice incluíram a construção de um palco na entrada da paróquia, onde foi instalada uma cruz de madeira de aproximadamente 130 quilos, confeccionada por adolescentes do Inisa, instituto uruguaio de detenção de menores infratores.
Rodolfo Arévalo, morador de 67 anos, atribui os problemas de segurança ao tráfico de drogas e à pasta-base de cocaína, envolvendo conflitos entre gangues de diferentes bairros. Estudos recentes da Universidade da República confirmam que aproximadamente dois terços dos moradores apontam as drogas como um dos principais problemas da região.
A realidade de Casavalle se manifesta em cenas que ilustram a extrema pobreza: moradores idosos testemunham situações de pessoas disputando alimentos descartados com animais nas ruas, evidenciando a profundidade da crise social enfrentada pelo bairro.
Fonte: BBC Brasil
Fonte: BBC Brasil
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