Crise do Ueno Bank derruba presidente do Paraguai Santiago Peña
Santiago Peña renunciou à presidência do Paraguai nesta quinta-feira (5 de novembro), em consequência da crise gerada pelo colapso do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras do país. A decisão do mandatário evitou um processo de impeachment que estava prestes a ser votado pela Câmara dos Deputados.
Em pronunciamento divulgado pelas redes sociais, Peña pediu desculpas à população e explicou que renunciou pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas. O presidente ressaltou que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai e lamentou possíveis falhas durante seu governo.
A renúncia ocorreu após o Partido Colorado, legenda governista liderada pelo ex-presidente Horacio Cartes, anunciar apoio ao impeachment. A oposição acusava Peña de conflito de interesses, uso indevido de fundos públicos e encobrimento de irregularidades relacionadas ao banco.
O Ueno Bank apresentava números impressionantes até recentemente. Quando se transformou em banco no final de 2023, possuía mais de 500 mil clientes e havia incluído cerca de 140 mil pessoas no sistema financeiro. O presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, afirmou que estava apenas começando durante celebrações na capital.
Menos de três anos depois, o cenário mudou drasticamente. Na terça-feira (3 de novembro), o Banco Central do Paraguai anunciou a dissolução do banco após constatar que o índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido. A intervenção congelou contas de milhões de clientes e provocou uma crise política profunda.
Especialistas brasileiros compararam o caso ao do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 e que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. Ambas as instituições apresentavam crescimento acelerado, captavam recursos de fundos de previdência e enfrentavam questionamentos sobre operações financeiras e relações com o poder público.
Carlos Carvallo Spalding, presidente do Banco Central do Paraguai, também passou a ser investigado por possíveis vínculos antigos com o banco e seu grupo empresarial, assim como Peña. A crise não apenas abalou o sistema financeiro paraguaio, mas também desencadeou uma das maiores crises políticas do país nos últimos anos.
Fonte: BBC Brasil
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