Miguel Vázquez: jovem empresário no centro de crise financeira no Paraguai
O colapso do Banco Ueno desencadeou uma das maiores crises políticas e financeiras do Paraguai nos últimos anos. Federico Miguel Vázquez Villasanti, acionista majoritário do Grupo Vázquez e criador da instituição, teve seu império empresarial desmoronado após intervenção do Banco Central paraguaio na última semana.
Com apenas 36 anos, Vázquez representava a nova geração de empresários latino-americanos. Seu objetivo ambicioso era tornar o Banco Ueno a primeira empresa paraguaia listada na Bolsa de Valores de Nova York. O crescimento foi impressionante: a instituição saltou de meio milhão de usuários em 2023 para mais de 3 milhões em 2026, em um país com população inferior a 6,5 milhões de habitantes.
O Banco Central do Paraguai alegou ter identificado sinais de insolvência, justificando a intervenção. Vázquez se entregou às autoridades durante a semana, e seus bens foram alvo de buscas e apreensões pelo Ministério Público. Além dele, outros sete executivos do grupo foram colocados à disposição das autoridades para responder por acusações que incluem abuso de confiança, fraude e conduta que resultou em falência.
A crise política que abalou o governo
O escândalo financeiro não se limitou ao setor privado. O presidente Santiago Peña foi preso em sua residência na capital Assunção após sofrer impeachment do Congresso, devido às suas supostas ligações com o Grupo Vázquez. Peña havia sido investidor minoritário da Credicentro em 2018, conforme informações que o próprio Vázquez divulgou à imprensa. Em sua defesa, o ex-presidente argumentou ter vendido suas ações na Ueno Holdings em 2025.
Embora Peña tenha apresentado renúncia ao cargo, o Congresso não aceitou e prosseguiu com o processo de impeachment. Seus advogados, incluindo Adolfo Ferreiro, anunciaram que recorrerão à Corte Interamericana de Direitos Humanos, alegando tempo insuficiente para preparação da defesa.
Trajetória de um empresário de terceira geração
Vázquez descreveu-se como resultado da união de duas famílias empresariais. Seu avô materno era proprietário de uma concessionária Mercedes-Benz, enquanto seu pai fundou a Credicentro na década de 1980. Formado em Administração de Empresas por universidades americanas de prestígio, o empresário concentrou esforços em expandir os negócios familiares através de aquisições e diversificação setorial.
A empresa realizou oferta pública inicial na Bolsa de Valores de Assunção em 2012. O verdadeiro crescimento ocorreu em 2021, com a aquisição da Financiera El Comercio. A Credicentro foi renomeada para Ueno Holdings, e a autorização para funcionar como banco foi concedida em 2023, já no governo Peña. O Banco Ueno destacou-se por seu foco digital, promoções atraentes e apoio à seleção nacional de futebol.
A promotoria informou que a lista de acusações contra os executivos pode ser ampliada conforme as investigações progridem. O futuro do Grupo Vázquez permanece incerto diante da intervenção e liquidação da Ueno Holdings.
Fonte: BBC Brasil
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