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Quem é Miguel Vázquez, dono do banco Ueno no Paraguai

Quem é Miguel Vázquez, dono do banco Ueno no Paraguai

Miguel Vázquez, empresário de 36 anos, viu seu império financeiro desabar esta semana quando o Banco Central do Paraguai interveio no Banco Ueno, instituição que ele criou expandindo o negócio de empréstimos ao consumidor de sua família. A ação resultou também na queda do governo do presidente Santiago Peña.

Vázquez se entregou às autoridades e teve seus bens alvo de buscas e apreensões pelo Ministério Público. Junto com ele, sete outros executivos do grupo foram colocados à disposição das autoridades para responder por acusações que incluem abuso de confiança, fraude e conduta que levou à falência. A promotoria indicou que a lista de acusações pode ser ampliada conforme progridem as investigações.

Trajetória do empresário

Filho único de empresário que fundou a Credicentro na década de 1980, Vázquez é neto de um proprietário de concessionária Mercedes-Benz. Ele frequentou universidades americanas de prestígio, formando-se em Administração de Empresas. Descreveu-se como “a união dessas duas famílias” ao falar sobre o Grupo Vázquez.

O Grupo Vázquez passou por consolidação ao longo dos anos, adquirindo empresas menores e diversificando seus investimentos. A companhia abriu capital na Bolsa de Valores de Assunção em 2012. O verdadeiro crescimento ocorreu em 2021 com a aquisição da Financiera El Comercio. Posteriormente, a Credicentro foi renomeada para Ueno Holdings e solicitou autorização ao Banco Central para se tornar instituição bancária, aprovação que chegou em 2023.

Expansão meteórica do Banco Ueno

O banco focava em operações digitais e lançava promoções atraentes na plataforma. Também ganhou popularidade pelo apoio à seleção nacional de futebol do Paraguai. O crescimento foi impressionante: saiu de meio milhão de usuários em 2023 para mais de 3 milhões em 2026, em um país com população de pouco menos de 6,5 milhões de habitantes. Vázquez tinha ambições de listagem na Bolsa de Valores de Nova York.

Conexões políticas

Vázquez referiu-se ao presidente Santiago Peña como “verdadeiro amigo” e informou que Peña era investidor minoritário da Credicentro em 2018. Em sua defesa, Peña afirmou ter vendido suas ações na Ueno Holdings em 2025. O ex-presidente foi preso nesta sexta-feira após impeachment aprovado pelo Congresso. Seus advogados questionaram o tempo limitado para preparação da defesa e indicaram possível recurso à Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Vázquez também apoiava categorias do automobilismo, incluindo o Campeonato Mundial de Rali (WRC), descrevendo-se como amante da velocidade. O futuro das operações e investimentos remanescentes do Grupo Vázquez permanece incerto após a intervenção e liquidação do banco.

Fonte: BBC Brasil

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