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Escândalo do Ueno no Paraguai é comparado ao caso Banco Master

Escândalo do Ueno no Paraguai é comparado ao caso Banco Master

A liquidação do banco Ueno desencadeou uma forte crise política no Paraguai, resultando na renúncia do presidente do Banco Central e no impeachment e prisão do ex-presidente Santiago Peña. O caso ganhou repercussão internacional por suas similaridades com a crise do Banco Master no Brasil.

Conexões políticas e fraude

Santiago Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco Ueno, até março de 2025. Carlos Carvallo Spalding, então presidente do Banco Central paraguaio, havia comandado a instituição antes de assumir o cargo público. A crise envolveu exposição relevante de recursos públicos, incluindo fundos de aposentadoria, o que precipitou a queda política do presidente já fragilizado internamente em seu partido, o Colorado.

Semelhanças e diferenças

Segundo Thiago Amâncio, diretor associado da consultoria Control Risks, os casos apresentam pontos de contato: exposição de recursos públicos e previdenciários, crescimento rápido apoiado em ativos frágeis e relações próximas com políticos. Porém, a principal diferença reside na dimensão do Ueno na economia paraguaia. Quase metade da população possuía conta no banco, escala completamente diferente do Master, que nunca alcançou relevância equivalente no Brasil.

Crescimento acelerado do Ueno

O Ueno nasceu da aquisição, em 2021, da Financiera El Comercio pelo Grupo Vázquez. A marca foi lançada em fevereiro de 2022 e recebeu autorização para operar como banco em novembro de 2023. Em 2024, incorporou o Visión Banco. Em pouco mais de três anos, transformou-se em um dos principais bancos do Paraguai, com 3 milhões de clientes equivalentes a 60% da população adulta.

Trajetória do Banco Master

No Brasil, Daniel Vorcaro entrou como sócio do Banco Máxima em 2017. Dois anos depois, o Banco Central autorizou a transferência de controle, e em 2021 a instituição passou a se chamar Banco Master. As estratégias de expansão foram distintas: o Ueno apostou em abertura digital de contas e descontos, enquanto o Master atraiu investidores com CDBs oferecendo remuneração acima da média do mercado.

Recursos públicos em risco

O Ueno administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo fundos do Instituto de Previdência Social (IPS) responsável por aposentadorias e pensões. No Brasil, regimes próprios de previdência de Estados e municípios investiram aproximadamente R$ 1,8 bilhão em títulos emitidos pelo Master, segundo dados do Ministério da Previdência Social.

Fonte: BBC Brasil

Fonte: BBC Brasil

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