Senado do Paraguai retoma julgamento de impeachment de Santiago Peña
O Senado do Paraguai dá prosseguimento nesta sexta-feira (6 de novembro) à sessão de julgamento do impeachment do presidente Santiago Peña. A votação estava marcada para começar às 10h da manhã, quando o chefe do Executivo compareceria para apresentar sua defesa perante os parlamentares.
Peña confirmou sua participação nas redes sociais, declarando que se apresentaria e exerceria seu direito constitucional de defesa. “Diante da continuidade do processo de impeachment, apresentarei-me e exercerei meu direito à defesa. Farei isso com argumentos e provas, com respeito à Constituição e às instituições da República”, afirmou o presidente.
Após a apresentação da defesa presidencial, os senadores deveriam examinar a documentação apresentada, considerar os argumentos das partes envolvidas e proceder à votação nominal. Para que Peña seja destituído do cargo, são necessários no mínimo 30 votos entre os 45 senadores da Casa. Caso a destituição seja aprovada, o vice-presidente Pedro Alliana assumiria automaticamente a Presidência da República conforme a ordem sucessória constitucional. A expectativa era encerrar todo o processo ainda durante o mesmo dia.
O processo de impeachment foi iniciado após solicitação apresentada por um grupo de deputados na quarta-feira (4 de novembro). No dia seguinte, Peña anunciou sua renúncia através de vídeo publicado nas redes sociais, afirmando que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”. Contudo, sua renúncia não foi aceita, e a Câmara aprovou formalmente a abertura do processo de impeachment. O caso foi encaminhado ao Senado, que iniciou o julgamento na quinta-feira.
As acusações contra Peña incluem favoritismo ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, instituição da qual foi acionista até março de 2025. O presidente também é acusado de omissão na fiscalização exercida pelo Banco Central do Paraguai. Adicionalmente, enfrenta responsabilização pelo impacto causado à confiança no sistema financeiro nacional e suposta intervenção inadequada no Instituto de Previsión Social (IPS), órgão responsável pela administração de aposentadorias e saúde dos trabalhadores. O Ueno Bank gerenciava aproximadamente R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo verbas previdenciárias. Há ainda indicações de possível enriquecimento ilícito.
Fonte: Metropoles Mundo
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