Presidente do Supremo da Bolívia foge do país alvo de mandado
Romer Saucedo, presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, deixou o país na quinta-feira (5 de novembro) após receber ameaças de morte e temer pela segurança de sua família. O magistrado de 38 anos é investigado por tráfico de substâncias controladas e associação criminosa, com pelo menos duas investigações em andamento e uma ordem de prisão já emitida contra ele.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, Saucedo acusou o governo do presidente Rodrigo Paz, de centro-direita, de perseguição política. O magistrado argumenta que seu questionamento a interesses políticos dentro do sistema judiciário colocaria em risco sua vida e a de seus familiares. Como referência, citou o assassinato do magistrado Víctor Hugo Claure, do Tribunal Agroambiental, morto a tiros em Santa Cruz em abril de 2026.
“Mataram-no porque afetou interesses de corruptos e são cúmplices aqueles que até hoje encobrem esse fato. Não quero que me aconteça o mesmo, por isso prefiro ir-me embora”, escreveu Saucedo em sua mensagem.
O Ministério Público informou que solicitará à Interpol um alerta vermelho para localizar o juiz. O procurador-geral interino, José Armando Urioste, confirmou que o órgão prosseguirá com as investigações criminais contra Saucedo.
O presidente da Suprema Corte afirmou categoricamente que não renunciará ao cargo e que pretende retornar à Bolívia assim que sua segurança e a de sua família forem garantidas. Saucedo destacou que recebeu mais de 740 mil votos nas urnas, sendo o candidato mais votado de todo o país para exercer função no Tribunal Supremo de Justiça.
A Suprema Corte boliviana concedeu um prazo de seis dias para o retorno de Saucedo antes de escolher um novo presidente da instituição. Durante este período, a decana Rosmery Ruiz assumirá as funções do cargo. Caso o magistrado não se apresente dentro do prazo, poderá perder sua posição no tribunal.
Fonte: Metrópoles Mundo
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