Presidente do Paraguai renuncia após colapso do Ueno Bank
Santiago Peña deixa a presidência do Paraguai nesta quinta-feira (5 de novembro) em meio à maior crise financeira do país. A decisão ocorre após o colapso do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras paraguaias, que congelou recursos de milhões de clientes e desencadeou uma crise política sem precedentes.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Peña pediu desculpas à população e justificou sua renúncia com base na necessidade de preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas. O presidente afirmou estar convencido de que nenhum cargo está acima do bem-estar nacional e reconheceu possíveis falhas em sua gestão.
A saída de Peña evita um processo de impeachment que seria votado pela Câmara dos Deputados. O presidente era acusado pela oposição de conflito de interesses, uso indevido de fundos públicos e encobrimento de irregularidades relacionadas ao banco. Importante ressaltar que o Partido Colorado, legenda governista liderada pelo ex-presidente Horacio Cartes, havia anunciado apoio ao impeachment.
O colapso do banco em números
O Ueno Bank cresceu vertiginosamente até sua queda. Em setembro de 2026, a instituição relatava ter mais de 3 milhões de clientes em um país com 6,5 milhões de habitantes — proporção equivalente a quase dois em cada três paraguaios. O banco processava diariamente mais de 3 milhões de transações.
A transformação em banco ocorreu no final de 2023, quando a instituição comemorava 500 mil clientes e havia incluído 140 mil pessoas no sistema financeiro. Dois anos antes, era apenas uma pequena financeira especializada em tecnologia. Porém, na terça-feira (3 de novembro), o Banco Central do Paraguai anunciou a dissolução da instituição após constatar que seu índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido.
Comparação com o Banco Master
A crise do Ueno Bank tem sido comparada ao colapso do Banco Master no Brasil. O Banco Central brasileiro liquidou a instituição em novembro de 2025, processo que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. Os casos apresentam similaridades que chamam atenção de analistas financeiros nos dois países.
Além de Peña, o presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo Spalding, também passou a ser questionado sobre vínculos antigos com o banco e seu grupo empresarial, intensificando as investigações sobre possíveis irregularidades na supervisão da instituição.
Fonte: BBC Brasil
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