Democrata no Congresso EUA não muda pressão de Trump sobre Brasil
A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos não deve aliviar a pressão que Donald Trump exerce sobre o Brasil, avaliam analistas ouvidos pela BBC News Brasil. Embora os democratas tenham conquistado o controle da Câmara dos Representantes e do Senado a partir de 3 de janeiro de 2027, a mudança na correlação de forças políticas americanas não afetará a postura da Casa Branca em relação ao país.
De acordo com as apurações, os democratas terão 237 parlamentares contra 139 republicanos na Câmara, e 54 cadeiras contra 44 no Senado. As disputas no Mississippi e no Alasca ainda não foram decididas, com a democrata Mary Peltola à frente com 625 votos de diferença sobre o republicano Dan Sullivan, com 77% das seções apuradas até a noite de quarta-feira.
O economista Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento entre 2007 e 2009 e ex-diretor do Banco Mundial, explica que o Congresso mais democrata terá mais dificuldades para interagir com a agenda interna de Trump, mas não possuirá mecanismos institucionais para barrar sua política externa. “O Congresso mais democrata até modifica a capacidade de interlocução com o Itamaraty, mas ele não terá condições de mexer na política comercial de Trump, justamente onde estão as implicações mais fortes sobre a relação entre Washington e Brasília hoje”, avalia.
As tarifas impostas pelo presidente republicano aos produtores brasileiros, as pressões para que o Brasil se afaste da China (principal parceiro comercial desde 2009) e a classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas permanecerão intactas. Esta última decisão abriu brecha para incursões militares americanas em território nacional.
Lucas Leite, professor da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), também é reticente quanto a mudanças significativas. Ele observa que, embora o governo Lula tenha maior interlocução no Congresso democrata em temas como meio ambiente, isso será insuficiente para alterar a forma como Trump administra sua política externa. “Ele até terá mais empecilhos, especialmente na América Latina, mas a vitória democrata nas urnas não anula a agenda trumpista”, ressalta.
Os analistas apontam que as ferramentas utilizadas por Trump para criar pressões sobre o Brasil escapam da esfera de atuação do Capitólio, sede do Legislativo americano. Além disso, o Brasil não representa prioridade máxima na agenda democrata de política externa, limitando ainda mais o impacto da mudança parlamentar nas relações bilaterais.
Fonte: BBC Brasil
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