×

Pesquisas erraram eleição 2026? Especialistas apontam mobilização não captada

Pesquisas erraram eleição 2026? Especialistas apontam mobilização não captada

As pesquisas de intenção de voto divulgadas na véspera do segundo turno das eleições de 2026 apontavam uma disputa acirrada, mas o resultado final surpreendeu. Enquanto Datafolha e Quaest mostravam Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula (PT), as urnas revelaram o oposto: o presidente venceu com 51,79%, deixando o senador com 48,21%.

A diferença reacendeu o debate sobre a confiabilidade das pesquisas eleitorais. Porém, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a resposta não é tão simples quanto dizer que os institutos erraram. As sondagens podem ter falhado em captar mudanças de comportamento nos últimos dias de campanha, especialmente em relação ao comparecimento às urnas.

Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, explicou que em ambientes altamente polarizados, como o brasileiro atualmente, a diferença nos resultados depende mais da mobilização relativa e do turnout do que da preferência dos eleitores. As preferências estão cristalizadas e enraizadas, tornando crucial prever quem efetivamente votará.

O principal desafio foi que os modelos foram calibrados com base no primeiro turno, quando a abstenção foi de 21,08%. Os institutos esperavam um padrão similar no segundo turno. Contudo, houve uma grande mobilização entre eleitores de Lula, reduzindo a abstenção para 19,22% — a maior queda entre primeiro e segundo turno desde a redemocratização.

Roman apontou que os institutos podem ter superestimado a mobilização bolsonarista e subestimado como o cenário mudaria no segundo turno. Quando ficou claro que Flávio tinha chances reais, o eleitorado se reorganizou. Apoiadores do governo e eleitores neutros, antes desmobilizados pelas pesquisas indicando vitória de Lula, foram impulsionados a votar ao perceberem uma ameaça concreta.

A mudança também refletiu na rejeição. No primeiro turno, concentrada no incumbente, o eleitorado de direita buscava punir o governo. No segundo turno, quando Flávio emergiu como favorito, a rejeição se inverteu, mobilizando novos votantes. Roman admitiu que a AtlasIntel levou em conta a mobilização relativa, mas subestimou sua magnitude.

O episódio evidencia os desafios contemporâneos de medir eleições cada vez mais polarizadas e dinâmicas, onde comportamentos podem mudar rapidamente nos últimos dias de campanha.

Fonte: BBC Brasil

Publicar Comentário

Você Pode Ter Perdido