Netanyahu lidera eleição em Israel mas não consegue maioria no Knesset
Com a maior parte dos votos apurados nas eleições israelenses, o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aparece ligeiramente à frente do bloco de oposição liderado pelo ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot. Porém, nenhum dos dois conseguiu alcançar as 61 cadeiras necessárias para formar maioria no Knesset, o Parlamento israelense que possui 120 assentos no total.
Sem obter maioria, ambos os blocos precisarão negociar com outros partidos para tentar estruturar um novo governo. Israel adota sistema parlamentarista, diferente do modelo presidencialista brasileiro. Os eleitores votam diretamente em um partido, e cada legenda recebe quantidade de cadeiras proporcional aos votos obtidos nacionalmente. Apenas partidos que alcançam no mínimo 3,25% dos votos conseguem representação no Parlamento.
O cargo de primeiro-ministro é conquistado por quem conseguir reunir apoio da maioria do Knesset, ou seja, pelo menos 61 dos 120 deputados. Como nenhum partido jamais conquistou essa maioria sozinho na história de Israel, todos os governos foram formados por coalizões entre duas ou mais legendas, conferindo aos partidos menores grande poder de negociação.
Partidos liderados pela minoria árabe do país conquistaram número recorde de cadeiras e podem ter papel decisivo na formação do próximo governo. Contudo, a maioria dos partidos judeus, incluindo o de Eisenkot, descartou durante a campanha a possibilidade de governar com eles. O resultado abre período de negociações que pode durar semanas ou meses, enquanto Netanyahu permanece no cargo.
Esta é a primeira eleição em Israel desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que mataram cerca de 1,2 mil pessoas e levaram 251 reféns para Gaza. A votação também ocorre após as guerras subsequentes em Gaza, Líbano e Irã. A ofensiva militar israelense em Gaza matou mais de 74,5 mil pessoas, conforme dados do Ministério da Saúde do território, controlado pelo Hamas, e considerados confiáveis pela ONU.
A eleição foi amplamente vista como referendo sobre o governo de Netanyahu. Entre os principais temas de campanha estiveram a responsabilização pelas falhas de segurança que permitiram os ataques de outubro de 2023, a condução das guerras, o serviço militar dos ultraortodoxos historicamente isentos, a reforma do Judiciário proposta pelo governo e o custo de vida.
Para Eugene Rogan, diretor do Centro de Oriente Médio da Universidade de Oxford, o resultado retrata a polarização da sociedade israelense. De um lado, eleitores querem mudança e estão cansados do custo de guerras sem fim. Do outro, há quem veja em Netanyahu a única garantia de segurança diante de ameaças existenciais.
Fonte: BBC Brasil
Publicar Comentário