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Netanyahu lidera eleição em Israel, mas não consegue maioria no Knesset

Netanyahu lidera eleição em Israel, mas não consegue maioria no Knesset

Com a maioria dos votos apurados nas eleições israelenses de 28 de outubro de 2026, o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aparece ligeiramente à frente do grupo de oposição liderado por Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas. Porém, nenhuma das duas coalizões alcançou as 61 cadeiras necessárias para formar maioria no Knesset, o Parlamento israelense com 120 assentos.

A ausência de maioria obriga os blocos a negociarem com outros partidos para tentar compor um governo. Israel funciona sob sistema parlamentarista, onde os eleitores votam em legendas que recebem número de cadeiras proporcional aos votos obtidos nacionalmente. Apenas partidos com pelo menos 3,25% dos votos entram no Parlamento. O primeiro-ministro é aquele que consegue reunir apoio de 61 dos 120 deputados.

Como nenhum partido na história de Israel conquistou maioria sozinha, todos os governos foram formados por coalizões. Partidos liderados pela minoria árabe do país conquistaram número recorde de cadeiras e podem ter peso decisivo nas negociações. Contudo, a maioria dos partidos judeus, incluindo o de Eisenkot, descartou durante a campanha governar com eles.

Esta foi a primeira eleição em Israel desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que mataram cerca de 1,2 mil pessoas e levaram 251 reféns para Gaza. A votação também ocorreu após as guerras em Gaza, no Líbano e no Irã. A ofensiva militar israelense em Gaza matou mais de 74,5 mil pessoas, conforme o Ministério da Saúde do território, controlado pelo Hamas, cujos números são considerados confiáveis pela ONU.

A eleição foi amplamente vista como referendo sobre o governo Netanyahu. Temas centrais incluíram responsabilização pelas falhas de segurança do 7 de outubro, condução das guerras, serviço militar dos ultraortodoxos historicamente isentos, reforma do Judiciário proposta pelo governo e custo de vida.

Para Eugene Rogan, diretor do Centro de Oriente Médio da Universidade de Oxford, o resultado retrata a polarização da sociedade israelense: de um lado, eleitores cansados do custo de guerras sem fim; do outro, aqueles que veem em Netanyahu a única garantia de segurança.

O resultado também interessa ao Brasil, que vive um dos piores momentos de sua relação com Israel. Em fevereiro de 2024, Israel considerou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva persona non grata até que se desculpasse por comparar ações do Exército israelense em Gaza ao Holocausto. Em resposta, Lula retirou o embaixador Frederico Meyer de Tel Aviv para consultas, sendo depois transferido para Genebra sem substituto nomeado para Israel. Em 2025, o Brasil ingressou formalmente em ação na Corte Internacional de Justiça acusando Israel de genocídio, e não respondeu à aprovação do diplomata Gali Dagan como novo embaixador israelense em Brasília. Israel retirou a indicação e comunicou que relações seriam conduzidas em nível diplomático inferior.

Fonte: BBC Brasil

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