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Israel escolhe entre Netanyahu e mudança em eleição decisiva

Israel escolhe entre Netanyahu e mudança em eleição decisiva

Israel realizou eleições nesta terça-feira (27 de outubro de 2026) em um pleito considerado por muitos analistas como um dos mais importantes da história do país. A disputa opõe o primeiro-ministro em exercício Benjamin Netanyahu contra o ex-chefe militar Gadi Eisenkot, em uma campanha marcada pelo legado dos ataques de 7 de outubro.

Pesquisas divulgadas na semana anterior ao pleito indicavam uma corrida acirrada entre os dois principais candidatos. Porém, analistas apontam que nenhum dos principais blocos políticos deve conquistar as 61 cadeiras necessárias para formar uma maioria no Parlamento, cenário que pode resultar em semanas ou meses de negociações para a formação de uma coligação governista.

A campanha eleitoral foi dominada pela questão de segurança. A oposição criticou duramente Netanyahu pelas falhas que antecederam os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro, quando aproximadamente 1,2 mil pessoas foram mortas e 251 levadas como reféns. Os opositores cobram a criação de uma comissão independente de inquérito, demanda que Netanyahu resiste há tempos, argumentando que seria parcial contra ele.

Netanyahu se apresentou como “Sr. Segurança”, destacando o que considera vitórias estratégicas nas operações militares de Israel no Oriente Médio e sua relação próxima com o presidente americano Donald Trump.

Eisenkot lidera o recém-criado Partido Yashar e encabeça o chamado bloco da mudança, uma coligação heterogênea que reúne figuras como o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, o político de direita Avigdor Lieberman, e o ex-general de esquerda Yair Golan. Todos compartilham o objetivo de remover Netanyahu do poder.

Para permanecer no cargo, Netanyahu dependerá de uma nova aliança com partidos ultraortodoxos e de extrema-direita, incluindo lideranças como Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, formando o que seria a coligação mais à direita da história israelense.

O bloco de oposição também aponta ameaças à democracia sob o governo Netanyahu, citando seu julgamento em andamento por acusações de corrupção — que ele nega — e as polêmicas reformas do sistema judicial que geraram protestos massivos antes dos ataques de outubro.

Nos últimos dias de campanha, Netanyahu enfrentou questionamentos sobre duas situações: reportagens do Canal 12 de Israel e da CNN alegavam que ele pressionou por ações militares contra o Irã antes das eleições, mas foi freado pelo chefe militar Eyal Zamir e pelo presidente Trump, respectivamente. Netanyahu negou ambas as informações. O premiê também publicou uma imagem gerada por inteligência artificial mostrando uma bomba nuclear atingindo Tel Aviv, argumentando ser o único líder capaz de defender Israel.

O sistema de representação proporcional israelense garante que governos sempre precisem formar coligações, tornando os períodos pós-eleitorais frequentemente marcados por negociações complexas e alianças estratégicas inesperadas.

Fonte: BBC Brasil

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