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Israel enfrenta impasse eleitoral; 4 cenários para futuro do país

Israel enfrenta impasse eleitoral; 4 cenários para futuro do país

Israel vive um cenário político indefinido. Com mais de 85% dos votos contabilizados após as eleições realizadas na terça-feira (27 de outubro), nem a coligação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem o bloco de seu principal adversário, Gadi Eisenkot, conseguem acumular cadeiras suficientes para formar maioria no Parlamento.

Para conquistar o poder, é provável que um dos principais partidos precise rever suas promessas de campanha. O cenário mais realista, segundo analistas, aponta para novas eleições como resultado final.

Primeiro cenário: governo de unidade nacional liderado por Netanyahu

Netanyahu poderia tentar convencer Eisenkot a participar de um governo de unidade nacional. Contudo, isso exigiria que Eisenkot abandonasse sua plataforma principal. Durante a campanha, o líder da oposição construiu sua mensagem afirmando ser a única alternativa a Netanyahu, pedindo sua retirada da política. Na noite da votação, discursou que os israelenses estão cansados da “cultura de mentiras”, “divisão e incitação” de Netanyahu. O premiê, por sua vez, agradeceu seus “parceiros leais” e pediu um “governo de direita forte”, sinalizando intenção de manter alianças com partidos de extrema-direita e ultraortodoxos. Um conflito com o Irã poderia aumentar as chances de acordo, forçando líderes a colocar diferenças políticas de lado.

Segundo cenário: coligação liderada por Eisenkot com partidos árabes

Esse seria um cenário revolucionário na política israelense. Apenas um partido árabe integrou formalmente uma coligão, em 2021, e permaneceu pouco tempo. Eisenkot e demais partidos judeus descartaram essa possibilidade. Contudo, é atualmente o único caminho viável para a oposição alcançar maioria. Os partidos árabes surpreenderam nas urnas, conquistando potencialmente um número recorde de 19 cadeiras, impulsionados por participação sem precedentes da população árabe de Israel, que representa cerca de um quinto do país. A Lista Árabe Unida prevê conquistar sete cadeiras e afirmou que se juntaria a um governo de oposição, enquanto a Lista Conjunta, com previsão de 12 cadeiras, ofereceu apoio. Apenas Yair Golan, do Partido Democrata, defende esse cenário entre líderes judeus. Uma coalizão desse tipo seria frágil, especialmente em temas como Gaza e Cisjordânia ocupada.

A resistência unida de partidos judaicos contra participação árabe revela divisões profundas na política israelense, apontando para um futuro incerto e negociações complexas nas próximas semanas.

Fonte: BBC Brasil

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