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Futuro do bolsonarismo incerto após Flávio partir para EUA

Futuro do bolsonarismo incerto após Flávio partir para EUA

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo aos Estados Unidos, após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), abre questionamentos sobre o rumo do bolsonarismo. O movimento político enfrenta um momento crítico com a migração de lideranças para o exterior.

No dia 28 de outubro de 2026, Flávio divulgou pronunciamento escrito na rede social X, inicialmente se autodeclarando “verdadeiro presidente do Brasil” e alegando “fraude eleitoral” sem apresentar evidências. Posteriormente, apagou a mensagem e publicou nova declaração, praticamente idêntica, porém se intitulando “líder do Brasil” em lugar de “verdadeiro presidente”.

O senador afirmou que comandará a oposição a Lula diretamente dos Estados Unidos. “Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil”, reforçou em sua manifestação.

Cientistas políticos, contudo, demonstram ceticismo quanto à capacidade de Flávio Bolsonaro liderar o movimento bolsonarista de fora do país, acompanhado por seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL), residente nos EUA desde fevereiro de 2025. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob presidência do ministro Kassio Nunes Marques, reconheceu a vitória de Lula, assim como os principais partidos brasileiros, inclusive o PL.

O professor de Ciência Política da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marco Antonio Carvalho Teixeira, considera que a atuação dos irmãos Bolsonaro no exterior não contará com apoio da maioria da sociedade. Destacou que as tarifas impostas pela Casa Branca contra o Brasil para tentar impedir a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, articuladas por Eduardo no ano anterior, foram rejeitadas pela população.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou comentar a autodeclaração de Flávio. “Eu não vou fazer um comentário sobre isso, mas eu sei que nós demos a ele um visto para entrar no país, então vamos ver. Mas eu não vou me envolver, foi uma eleição muito estranha, isso com certeza”, respondeu Trump a jornalistas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), divulgou posicionamento compreendendo a “revolta” de Flávio, mas não apoiando a contestação do resultado eleitoral. “O caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou o governador.

Flávio deixou o país após o ministro do STF Alexandre de Moraes ordenar a apreensão de seu passaporte, conforme pedido da Polícia Federal em inquérito que apura possível lavagem de dinheiro do senador em parceria com o advogado e empresário Willer Tomaz. Flávio nega as acusações e denunciou sofrer “perseguição política” visando “silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil”.

Especialistas consultados se dividem sobre o futuro do bolsonarismo, considerando os reveses recentes da família Bolsonaro, incluindo derrotas presidenciais consecutivas e a prisão de Jair Bolsonaro.

Fonte: BBC Brasil

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