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Direita precisa abandonar bolsonarismo para voltar a vencer, diz historiador

Direita precisa abandonar bolsonarismo para voltar a vencer, diz historiador

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após perder a eleição presidencial em 2026 reaviva um debate crucial na direita brasileira: manter a aliança com o bolsonarismo ou se afastar de um movimento que acumula derrotas consecutivas e mantém confronto com instituições democráticas.

O historiador Sidney Chalhoub, pesquisador da Universidade de Harvard e professor do Departamento de História da Unicamp, analisa a situação em entrevista à BBC News Brasil. Segundo ele, a direita democrática enfrenta uma encruzilhada política fundamental.

“A direita democrática vai ter que decidir se aliar-se à extrema direita é bom negócio. Perderam duas eleições com essa aliança”, afirma Chalhoub. Para o especialista, romper com o bolsonarismo é pré-requisito para que esse campo político recupere competitividade nas disputas presidenciais. “Sem expurgar o golpismo, a direita continuará a perder.”

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente do presidente Lula, conquistando 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do petista. No entanto, no segundo turno foi derrotado, com Lula obtendo 4,4 milhões de votos a mais. Após o resultado, o senador não reconheceu a vitória, prometendo pedir anulação e cassação das eleições. Porém, cerca de 24 horas depois, deixou o país rumo aos EUA.

A saída ocorreu após Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, intimar Flávio a entregar seus passaportes em investigação sobre lavagem de dinheiro supostamente realizada em parceria com o advogado Willer Tomaz.

Chalhoub identifica um padrão recorrente na direita radical brasileira: “A alegação de fraude na eleição auxilia a narrativa de perseguição política, que justifica o ato seguinte, que é a fuga para evitar responder por crimes”. Ele menciona os ex-deputados Alexandre Ramagem, Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, que também deixaram o Brasil.

O historiador avalia que a derrota de Flávio coloca em questão a capacidade do bolsonarismo de permanecer como força hegemônica da direita brasileira. “O bolsonarismo dificilmente voltará a ter a mesma força eleitoral que já alcançou”, afirma. Contudo, isso não significa irrelevância: o PL elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados e terá maior representação no Senado.

“A minha impressão é que o bolsonarismo continua a ser uma força política importante. Só não sei se será hegemônico na direita o suficiente para fazer novos candidatos competitivos daqui a quatro anos”, conclui Chalhoub. O historiador ressalta que ciclos de reação conservadora — como os observados desde 2014 e o impeachment de Dilma em 2016 — possuem precedentes históricos no Brasil, indicando que o processo pode estar longe de seu fim.

Fonte: BBC Brasil

Fonte: BBC Brasil

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