Santiago Peña é preso em casa após impeachment no Paraguai
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso em sua residência em Assunção no mesmo dia em que sofreu impeachment aprovado pelo Senado. A prisão domiciliar foi ordenada pelo Ministério Público no contexto da investigação sobre o colapso do Ueno Bank, conforme informou o jornal ABC Color.
Na sexta-feira 6 de novembro de 2026, o Senado paraguaio aprovou por unanimidade a destituição de Peña, com 44 votos favoráveis e uma ausência. O impeachment foi necessário porque exigia no mínimo 30 votos dos 45 senadores para a remoção definitiva do cargo, conforme estabelece a Constituição paraguaia.
Pedro Alliana, até então vice-presidente, tomou posse no mesmo dia durante cerimônia no Congresso, permanecendo no cargo até agosto de 2028. Um pedido de impeachment contra Alliana foi rejeitado com 48 votos contra 30 na Câmara dos Deputados.
A Câmara dos Deputados havia aprovado o impeachment com 78 votos na quinta-feira (05/11). Peña havia solicitado uma prorrogação de 72 horas para preparar sua defesa, após receber uma denúncia de 15 páginas acompanhada por aproximadamente 300 páginas de anexos. O pedido foi negado com 39 votos contra e apenas 3 a favor.
A defesa de Peña alegou falta de tempo adequado para preparação processual e anunciou intenção de recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos em caso de destituição, questionando as garantias de direitos oferecidas durante o processo.
O impeachment impede que Peña assuma a posição de senador vitalício prevista pela Constituição para ex-presidentes eleitos democraticamente. A decisão também o priva do foro privilegiado que dificultaria eventual persecução penal imediata pelo Ministério Público. Uma possível renúncia, conforme tentado na quinta-feira, manteria essas proteções.
O Partido Colorado, agremiação de Peña, abandonou o presidente destituído e apoiou amplamente o impeachment. A crise financeira deflagrada pelo colapso do Ueno Bank e subsequentes protestos políticos aceleraram o processo de destituição. A quinta-feira foi marcada por confrontos nas imediações do Congresso e especulações sobre possível saída do presidente do país.
A investigação criminal sobre o envolvimento de Peña com o banco permanece sob responsabilidade da Justiça comum, sendo a aprovação do impeachment uma decisão parlamentar e não uma condenação penal.
Fonte: BBC Brasil
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