Crise bancária derruba presidente do Paraguai Santiago Peña
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5 de novembro de 2026), em meio à maior crise política e financeira do país. A decisão ocorre após o colapso do Ueno Bank, uma das principais instituições bancárias paraguaias, que provocou instabilidade no sistema financeiro e desencadeou pressões para o impeachment do chefe de Estado.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Peña pediu desculpas à população, justificando a saída como necessária para preservar “a estabilidade do nosso país, a paz social e nossas instituições democráticas”. O presidente afirmou estar convencido de que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai” e reconheceu possíveis falhas em sua gestão.
A renúncia evitou um processo de impeachment iminente. O Partido Colorado, legenda governista liderada pelo ex-presidente Horacio Cartes, havia anunciado apoio à destituição de Peña. A oposição o acusava de conflito de interesses, uso indevido de fundos públicos e encobrimento de irregularidades relacionadas ao banco.
A trajetória do Ueno Bank
O Ueno Bank começou como pequena financeira especializada em tecnologia. No final de 2023, ao se transformar oficialmente em banco, seus dirigentes celebravam o crescimento acelerado: mais de 500 mil clientes e cerca de 140 mil pessoas incluídas no sistema financeiro que antes não possuíam conta bancária. “Isso está apenas começando”, declarou Juan Manuel Gustale, então presidente da instituição, durante as comemorações na Ueno SND Arena, em Assunção.
Menos de três anos depois, a situação mudou drasticamente. Em 3 de novembro, o Banco Central do Paraguai anunciou a dissolução do Ueno Bank após constatar que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo obrigatório. O colapso deixou milhões de clientes sem acesso às suas contas e congelou recursos financeiros.
Conexões políticas e comparações internacionais
Tanto Santiago Peña quanto Carlos Carvallo Spalding, presidente do Banco Central do Paraguai, passaram a ser questionados por vínculos antigos com o banco e seu conglomerado empresarial. A crise ganhou comparações com o caso do Banco Master no Brasil, liquidado pelo Banco Central brasileiro em novembro de 2025 e que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. Ambas as instituições apresentavam crescimento acelerado, captação de recursos de fundos de previdência e questionamentos sobre operações financeiras e relações com autoridades públicas.
A crise do Ueno Bank representa um abalo significativo no sistema financeiro paraguaio e marca o fim abrupto da presidência de um dos expoentes da nova direita latino-americana.
Fonte: BBC Brasil
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