Trump oferece visto a Flávio Bolsonaro enquanto relação com Lula piora
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos, conforme confirmado por alto funcionário do Departamento de Estado americano. A medida acirra ainda mais as tensões entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já enfrentam divergências políticas e comerciais.
A concessão de visto a Flávio e sua família ocorre em momento delicado. Dois dias antes, o senador perdeu a eleição presidencial no segundo turno, quando recebeu 59.826.041 votos contra 64.256.232 de Lula, do total de 128.236.074 votos computados. Logo após a derrota, em 25 de outubro, Flávio não reconheceu o resultado e pediu a anulação do pleito.
Na segunda-feira (26/10), publicou vídeo contestando a chapa presidencial de Lula por supostos abusos na campanha, citando a prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin. O TSE informou que apenas 34.393 votos foram contabilizados após as 17h, representando 0,026% do total.
A situação se complicou quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que Flávio entregasse seus passaportes às autoridades. O prazo terminou no meio-dia de 27 de outubro sem cumprimento, resultando no cancelamento dos documentos. Dias antes, o senador havia afirmado em rede social que nunca pensou em deixar o Brasil e que se entregaria para se defender da ordem, chamando-a de “aberração”.
Assessor próximo a Lula informou à BBC que o governo brasileiro não vê a presença de Flávio nos EUA como impedimento para normalizar relações com Washington, apesar das tarifas americanas impostas sobre produtos brasileiros. Afirmou que o Brasil acompanhará os desdobramentos e poderá solicitar extradição se necessário, mas que rejeição a tal pedido não impediria relação pragmática entre os países.
Autoridades argentinas descartaram passagem de Flávio pelo território vizinho, após investigação sobre possível voo da empresa Baires Fly. A defesa do senador disse estar “completamente no escuro” sobre possível saída do Brasil.
Fonte: BBC Brasil
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