×

Economista André Lara Resende nega encontro com Lula sobre reforma fiscal

Economista André Lara Resende nega encontro com Lula sobre reforma fiscal

André Lara Resende, ex-presidente do BNDES e ex-diretor do Banco Central, negou nesta quarta-feira (5 de novembro de 2026) ter marcado qualquer reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir sua proposta de reforma monetária e fiscal.

Em entrevista à BBC News Brasil, o economista afirmou que informações divulgadas sobre um possível encontro foram “plantadas para queimar alguém que defendeu a proposta”. Resende reforçou que não tem contato com Lula e que “todo mundo sabe que eu não quero ir para o governo”.

A polêmica começou em setembro, quando Lara Resende publicou um artigo em sua newsletter na plataforma Substack propondo a criação de um novo órgão para gerenciar as políticas monetária e fiscal brasileiras. O texto ganhou destaque após a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) compartilhá-lo nas redes sociais em 28 de outubro, chamando-o de “fundamental para enfrentar a ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”.

A movimentação do mercado financeiro e discussões em Brasília intensificaram especulações sobre possíveis encontros e implementação da proposta. O mercado passou a cogitar que a ideia seria levada adiante pelo governo Lula, especialmente considerando o histórico do presidente em criticar a elevada taxa Selic.

Segundo Lara Resende, o núcleo de sua proposta é a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), um órgão que trabalharia junto ao Banco Central para formular metas de longo prazo para a política fiscal e a taxa básica de juros, coordenando as expectativas do mercado.

O economista argumenta que o desequilíbrio das contas públicas brasileiras é causado principalmente pelos juros elevados, não pelos gastos do governo. Ele caracteriza a situação como uma “bolsa-rentista”, onde juros altos concentram renda e riqueza nas mãos dos detentores de dívida pública, que também representam a parcela mais rica da população.

Em 2025, o déficit fiscal brasileiro foi de 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme dados do Tesouro Nacional. A Selic foi mantida em 13,75% ao ano nesta semana pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Para viabilizar o CFMN, a proposta precisaria ser aprovada pelo Congresso Nacional, já que o Banco Central não possui autonomia institucional para criar conselhos próprios, apenas comitês consultivos.

Lara Resende foi um dos formuladores do Plano Real, que controlou a hiperinflação brasileira no final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Ele presidiu o BNDES por oito meses em 1998 durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e foi diretor do Banco Central entre 1985 e 1986, no governo de José Sarney (MDB).

Fonte: BBC Brasil

Publicar Comentário