Brasileiros no Paraguai enfrentam bloqueio de contas no Ueno Bank
Brasileiros que residem no Paraguai se veem em apuros financeiro após a crise que atingiu o Ueno Bank, um dos principais bancos do país. A instituição sofreu intervenção do Banco Central paraguaio na terça-feira (3/11) após constatação de que seu índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido pelas autoridades.
A brasileira Renata de Brito, de 44 anos, residente em Hernandarias, perto da fronteira com o Brasil, não conseguiu acessar sua conta no aplicativo do banco para gerenciar as economias e recebimentos de clientes de sua lanchonete. “Quase todo meu dinheiro está preso no banco”, relata ela, que teme não conseguir pagar compromissos até o fim de novembro.
Magnitude da crise
O Ueno Bank contava com aproximadamente 3 milhões de clientes, o equivalente a 60% da população adulta do Paraguai. A crise desencadeou uma reação política imediata: o presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia na quinta-feira (5/11), porém o Congresso paraguaio recusou-se a chancela-la, optando por prosseguir com análise de pedido de impeachment agendado para sexta-feira (6/11).
Segundo estimativas do economista Alexandre Barros da Costa, pesquisador da Universidade Federal da Integração Latino-Americana e Universidade Federal do Paraná, dezenas de milhares de brasileiros podem ser afetados pela crise bancária. O especialista explica que a instituição atraía imigrantes pela facilidade de abertura de contas e ausência de burocracia excessiva.
Proteção limitada
O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai cobre depósitos de até 228 milhões de guaranis por pessoa, equivalente a aproximadamente R$ 211 mil. O Banco Central paraguaio garantiu ressarcimento para valores dentro desse limite, porém ainda precisa avaliar a cobertura para montantes superiores.
De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores, havia 270 mil brasileiros vivendo no Paraguai em 2025, representando a maior comunidade brasileira na América do Sul e a terceira no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Portugal. Muitos se mudaram motivados por questões econômicas e políticas, conforme revelado pela BBC News Brasil em abril de 2026.
Empresária paulista Erika Silva, de 41 anos, que se prepara para mudar-se definitivamente para o país, também teve recursos bloqueados no banco, embora em menor quantidade destinada a gastos pontuais durante estadias.
Fonte: BBC Brasil
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