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Crise do Ueno Bank derruba presidente do Paraguai Santiago Peña

Crise do Ueno Bank derruba presidente do Paraguai Santiago Peña

Santiago Peña renunciou à presidência do Paraguai nesta quinta-feira (5/11), após a crise provocada pelo colapso do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras do país. Em vídeo publicado nas redes sociais, o presidente se desculpou com a população e alegou que sua saída visa preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.

“Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, declarou Peña. Com a renúncia, o presidente evitou enfrentar um processo de impeachment que já tinha apoio do Partido Colorado, legenda do ex-presidente Horacio Cartes.

A oposição acusava Peña de conflito de interesses, uso indevido de fundos públicos e encobrimento de irregularidades relacionadas à instituição financeira. O caso ganhou dimensões políticas quando parlamentares intensificaram as tentativas de destituição do presidente após o anúncio da dissolução do banco.

A queda do Ueno Bank

Na terça-feira (3/11), o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de dissolução do Ueno Bank após constatar que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido. A notícia surpreendeu o mercado, pois semanas antes a instituição era apresentada como um dos maiores sucessos do sistema financeiro paraguaio.

Em setembro, o Ueno Bank afirmava ter mais de 3 milhões de clientes em um país com 6,5 milhões de habitantes — o equivalente a quase dois em cada três paraguaios. A instituição também processava mais de 3 milhões de transações diárias. A crise deixou milhões de clientes sem acesso às suas contas.

O banco havia se transformado em instituição de crédito apenas no final de 2023, após dois anos funcionando como pequena financeira especializada em tecnologia. Na época, seus dirigentes se orgulhavam de ter mais de 500 mil clientes e ter incluído cerca de 140 mil pessoas no sistema financeiro que antes não possuíam conta bancária.

Comparação com o caso brasileiro

Devido às similaridades, a crise do Ueno Bank foi comparada ao caso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central brasileiro em novembro de 2025. A liquidação do Master resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.

Tanto o presidente Peña quanto o presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo Spalding, passaram a ser questionados por vínculos antigos com o banco e seu grupo empresarial. Peña é um dos expoentes da nova direita na América Latina.

Fonte: BBC Brasil

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