Lara Resende nega encontro com Lula sobre proposta de conselho fiscal
O economista André Lara Resende negou nesta quarta-feira (5 de novembro de 2026) ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre sua proposta de criação de um novo conselho para gerenciar políticas monetária e fiscal no Brasil. Segundo ele, as notícias que circularam sobre um possível encontro foram “plantadas” para prejudicar apoiadores da ideia.
Em entrevista à BBC News Brasil, Lara Resende afirmou: “Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado. Essa notícia foi plantada obviamente para queimar a proposta ou alguém que não eu”. O economista completou que está sendo usado como “Judas no Pai Nosso” em uma possível disputa interna no governo.
A polêmica começou quando o economista publicou um artigo em setembro em sua newsletter na plataforma Substack, propondo a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN). O texto pretendia explicar por que a taxa Selic é extraordinariamente alta no Brasil e como escapar dessa situação. A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) compartilhou o artigo em suas redes sociais em 28 de outubro, chamando-o de “fundamental para enfrentar a ofensiva sobre a política fiscal brasileira”.
Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes iniciado no primeiro semestre, quando a taxa estava em 15%. Lula já manifestou descontentamento com os juros elevados em diversas ocasiões.
Lara Resende, que presidiu o BNDES por oito meses em 1998 durante a gestão Fernando Henrique Cardoso e foi diretor do Banco Central entre 1985 e 1986 no período de José Sarney, argumenta que o desequilíbrio nas contas públicas brasileiras é causado mais pelos juros altos do que pelos gastos governamentais. Em 2025, o déficit foi de 0,48% do PIB, conforme o Tesouro Nacional.
O economista explicou que os juros elevados funcionam como uma “bolsa-rentista”, onde recursos públicos são direcionados aos detentores da dívida, que pertencem à parcela mais rica da população. Para ele, juros altos concentram renda e riqueza.
A proposta do CFMN seria criar um órgão que atuaria junto ao Banco Central para formular metas de longo prazo para a política fiscal e a taxa básica de juros, coordenando expectativas sobre ambas. Contudo, qualquer implementação precisaria passar pela aprovação do Congresso Nacional, pois o BC não possui autonomia institucional para criar conselhos próprios, apenas comitês consultivos.
Lara Resende é um dos formuladores do Plano Real, que controlou a hiperinflação brasileira no final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Ele sustenta diálogo com economistas internacionais sobre o tema, incluindo pesquisadores ligados a universidades americanas renomadas.
Fonte: BBC Brasil
Publicar Comentário