Flávio Bolsonaro compara luta política ao exílio de Rui Barbosa e De Gaulle
O senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado pelo PL nas eleições de domingo, divulgou uma carta aberta na quarta-feira (28/10) em que se posiciona como líder da oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva a partir dos Estados Unidos. O documento foi publicado horas após sua chegada à Flórida, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina.
Na carta, Flávio menciona personalidades históricas que lideraram a oposição ao exílio, incluindo Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Marti, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado. O senador afirma: “Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.”
Inicialmente, Flávio se autodenominou “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas 23 minutos depois alterou a redação para “líder do Brasil”. A viagem ocorreu após sua Polícia Federal cancelar seu passaporte, em meio a investigações sobre lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz.
Rui Barbosa (1849-1923) foi jurista, político e diplomata brasileiro considerado figura central da República. Conhecido como “Águia de Haia” pelos discursos na Conferência de Haia de 1907, defendeu a Constituição e liberdades civis. Durante o governo de Floriano Peixoto (1891-1894), tornou-se principal crítico presidencial, atuando na defesa jurídica de opositores presos. Perseguido, refugiou-se em representações diplomáticas e depois em Buenos Aires, Lisboa, Paris e Londres, retornando ao Brasil em 1895.
Charles de Gaulle (1890-1970), general e presidente francês, recusou-se a aceitar a rendição francesa à Alemanha em 1940. Exilado em Londres, transmitiu apelo pela BBC conclamando os franceses a continuarem lutando e organizou o movimento denominado França Livre, reunindo apoiadores da resistência francesa pelo mundo. Seu exemplo é frequentemente citado como símbolo de resistência ao autoritarismo.
A estratégia de Flávio de liderar a oposição do exterior marca um novo capítulo na política brasileira pós-eleitoral, com o senador buscando legitimidade histórica ao comparar sua situação com personalidades internacionais que enfrentaram regimes adversários.
Fonte: BBC Brasil
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