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Direita precisa abandonar bolsonarismo para vencer eleições, diz Harvard

Direita precisa abandonar bolsonarismo para vencer eleições, diz Harvard

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil rumo aos Estados Unidos, três dias após perder a eleição presidencial e questionar a legitimidade do resultado, evidencia um dilema crítico enfrentado pela direita brasileira. Segundo o historiador Sidney Chalhoub, pesquisador de Harvard e professor do Departamento de História da Unicamp, o campo conservador precisará tomar uma decisão importante: manter-se aliado ao bolsonarismo ou se afastar do movimento.

O dilema da direita brasileira

Chalhoub avalia que a direita democrática enfrenta uma escolha estratégica. “A direita democrática vai ter que decidir se aliar-se à extrema direita é bom negócio. Perderam duas eleições com essa aliança”, afirma o historiador. Para ele, romper com o bolsonarismo é condição essencial para que esse segmento político recupere competitividade nas disputas presidenciais futuras. “Sem expurgar o golpismo, a direita continuará a perder”, complementa.

O desempenho de Flávio nas eleições 2026

Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e senador pelo PL, terminou o primeiro turno à frente do presidente Lula, obtendo 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do petista. Contudo, no segundo turno, foi derrotado pelo presidente, que conquistou 4,4 milhões de votos a mais. Imediatamente após o resultado, Flávio não reconheceu a vitória de Lula e afirmou que buscaria a anulação das eleições.

Saída do país e investigações

A sequência de eventos que levou à partida de Flávio para os Estados Unidos ocorreu após o senador ser intimado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a entregar seus passaportes. O pedido relaciona-se a investigações sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. Além dele, outros políticos ligados ao bolsonarismo deixaram o Brasil, incluindo os ex-deputados Alexandre Ramagem, Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli.

Futuro do bolsonarismo na política brasileira

Chalhoub avalia que o bolsonarismo “dificilmente voltará a ter a mesma força eleitoral que já alcançou”. Entretanto, ressalta que a derrota eleitoral não significa irrelevância política. O PL elegeu a maior bancada na Câmara dos Deputados e terá a maior representação no Senado, mantendo-se como ator importante na política brasileira. “A minha impressão é que o bolsonarismo continua a ser uma força política importante. Só não sei se será hegemônico na direita o suficiente para fazer novos candidatos competitivos daqui a quatro anos”, pondera o historiador.

Fonte: BBC Brasil

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