Flávio Bolsonaro foge ao EUA desafiando STF em momento crítico para Trump
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil e se dirigiu aos Estados Unidos após ser derrotado nas eleições presidenciais por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A fuga ocorreu em desrespeito a uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de sair do país.
Uma semana após a derrota eleitoral, Flávio descumpriu determinação do ministro Alexandre de Moraes, que havia ordenado a entrega dos passaportes comum e diplomático à Polícia Federal em até 24 horas. A ordem também vedava sua saída do território nacional. Diante do não cumprimento, a corporação cancelou os passaportes na terça-feira (26/10).
O Departamento de Estado dos EUA confirmou oficialmente a emissão de vistos para Flávio e seus familiares, permitindo a entrada deles em solo norte-americano. Contudo, a comunicação oficial não comprova a concessão de asilo político, benefício distinto da autorização de visto.
A chegada do senador à Flórida coincide com período delicado para Donald Trump. As eleições de meio de mandato norte-americanas estão marcadas para 3 de novembro, quando toda a Câmara dos Representantes (435 cadeiras) e aproximadamente um terço do Senado serão renovados. Pesquisas de outubro indicam alta desaprovação do presidente e sugerem chances de os democratas conquistarem a maioria na Câmara.
O advogado mexicano Simón Levy, que se apresenta como aliado de Trump, afirmou que Washington articulou uma operação denominada "Operação Alba", supostamente coordenada por Marco Rubio, para proteger Flávio. Levy alegou também que asilo político foi autorizado ao brasileiro, mas não apresentou comprovação. O Departamento de Estado desmentiu oficialmente a concessão de asilo.
Flávio é alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro em inquérito envolvendo o advogado Willer Tomaz. O senador nega irregularidades. A presença de um político estrangeiro envolvido em disputa com o Judiciário de seu país pode ampliar pressões sobre a administração republicana, especialmente em período pré-eleitoral crítico.
No mesmo dia da chegada de Flávio aos EUA, Trump voltou a fazer comentários negativos sobre as eleições brasileiras. Durante comício no Texas, o presidente norte-americano mencionou a vitória de Lula e questionou a qualidade do processo eleitoral: "Eu não tomei partido, mas não gostei… Não pareceu muito bom".
Fonte: Metrópoles Mundo
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