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Flávio Bolsonaro deixa Brasil e vai para EUA após derrota eleitoral

Flávio Bolsonaro deixa Brasil e vai para EUA após derrota eleitoral

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil nesta terça-feira (27/10) e viajou para os Estados Unidos, confirmaram fontes à BBC. A saída acontece dias após sua derrota nas eleições presidenciais de domingo (25/10), quando perdeu o pleito.

A decisão de partir ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão dos passaportes do senador e proibi-lo de deixar o país na segunda-feira (26/10). O prazo para entregar os documentos vencia por volta do meio-dia de terça. Ainda assim, Flávio conseguiu sair do Brasil.

O governo de Donald Trump confirmou à BBC que concederia visto ao senador e sua família. Segundo as mesmas fontes, Flávio já teria se encontrado com seu irmão Eduardo na Flórida. Os detalhes da rota utilizada para deixar o território brasileiro ainda permanecem obscuros.

A Polícia Federal acionou autoridades da Argentina para investigar se o senador havia entrado no país vizinho. Informações da imprensa argentina mencionavam uma aeronave particular com destino aos EUA no aeroporto de Puerto Iguazú. Contudo, a Direção Nacional de Migrações argentina confirmou ao Brasil que não havia registro oficial de entrada de Flávio por qualquer posto migratório.

A apreensão dos passaportes está vinculada a um inquérito que investiga suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. A investigação, sob responsabilidade de Alexandre de Moraes, aponta suspeitas relacionadas a plataformas de pagamento digital e apostas no Rio de Janeiro, período em que Cláudio Castro (PL) governava o Estado.

Na segunda-feira, Flávio publicou um vídeo afirmando que a decisão de Moraes se baseou em uma fala de seu irmão Eduardo de 23 de outubro sugerindo que deixasse o país se perdesse a eleição. “Eu nunca pensei em sair do país”, declarou o senador horas antes de embarcar para os EUA.

Flávio segue o caminho traçado por Eduardo, que se mudou para os EUA em março de 2025. Eduardo justificou então sua ida alegando interesse em atuar junto ao governo Trump pela anistia dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro e obtenção de sanções contra o ministro Moraes. Em dezembro, perdeu seu mandato de deputado federal por excesso de faltas. Em junho deste ano, foi condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo. Em julho, anunciou a obtenção do green card, documento que permite residência permanente nos EUA.

Antes de partir, Flávio recusou-se a reconhecer a derrota eleitoral, argumentando que a decisão do ministro Cristiano Zanin de adiar em duas horas o encerramento do pleito modificou “as regras do jogo”. Na segunda-feira, porém, sua campanha divulgou nota agradecendo os 60 milhões de votos e anunciando que passará a “assumir a liderança da oposição”. O PL, partido do senador, reconheceu os resultados eleitorais.

Fonte: BBC Brasil

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