Argentina não vai se manifestar sobre reeleição de Lula, diz governo Milei
O governo argentino anunciou nesta terça-feira (27 de outubro) que não pretende fazer qualquer pronunciamento sobre a reeleição do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração partiu de Adrián Ravier, porta-voz da Casa Rosada, em meio ao acirramento das tensões diplomáticas entre Brasil e Argentina.
Questionado sobre se Buenos Aires se manifestaria acerca das eleições brasileiras, Ravier afirmou que nenhum comunicado estava sendo preparado. O porta-voz justificou a postura argumentando que o silêncio refletiria a falta de manifestação de Lula quando Javier Milei foi eleito presidente argentino em 2023. “Em 2023, quando Milei foi eleito, não houve qualquer gesto do presidente Lula para cumprimentá-lo pessoalmente ou qualquer coisa. Pelo menos, por enquanto, não há qualquer comunicado que vamos fazer”, declarou Ravier.
Contradição nas declarações
No entanto, registros indicam que a afirmação do porta-voz não corresponde aos fatos. Em 19 de novembro de 2023, logo após a vitória eleitoral de Milei na Argentina, Lula se pronunciou nas redes sociais sobre o pleito vizinho. Embora não tenha mencionado o presidente argentino diretamente, o petista saudou o processo eleitoral e ofereceu colaboração. “Desejo boa sorte e êxito ao novo governo. A Argentina é um grande país e merece todo o nosso respeito. O Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos”, escreveu Lula horas após o resultado das eleições argentinas.
Dois dias após sua reeleição para um quarto mandato, Lula permanece sem receber qualquer congratulação ou menção do presidente argentino sobre o processo eleitoral brasileiro. Milei tornou-se o único presidente sul-americano que não parabenizou o presidente reeleito.
Crise diplomática em curso
A tensão entre os dois países intensificou-se nos últimos meses devido a ataques verbais de Milei direcionados a Lula. A situação escalou quando o presidente argentino participou em São Paulo do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), principal opositor de Lula à presidência. Na ocasião, Milei criticou duramente o governo brasileiro, chamando Lula de presidiário e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “lixo careca”.
Diante das agressões verbais, o Palácio Itamaraty manifestou repúdio oficial e convocou o embaixador argentino em Brasília. Como resposta adicional, o Brasil também chamou seu embaixador em Buenos Aires de volta para esclarecimentos. A situação evoluiu para o rebaixamento formal das relações diplomáticas, com a solicitação para que o embaixador argentino se retirasse do Brasil.
Conforme informações de fontes diplomáticas, não há perspectivas de normalização das relações sem uma mudança de postura por parte do governo Milei.
Fonte: Metropoles Mundo
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