América do Sul com Lula: quatro países mantêm lideranças de esquerda
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) impediu que a tendência de governos de direita se expandisse para o Brasil. Atualmente, a América do Sul apresenta um cenário fragmentado politicamente, com oito dos 12 países do subcontinente sob liderança de direita, enquanto quatro mantêm administrações de esquerda.
Com a vitória de Lula confirmada em outubro de 2026, os países sul-americanos com lideranças esquerdistas são: Guiana (Irfaan Ali), Suriname (Jennifer Simons), Uruguai (Yamandú Orsi) e Venezuela (administrada interinamente por Delcy Rodríguez). Na direção oposta, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru são governados por líderes de direita, representando aproximadamente 58,3% da população sul-americana.
Durante a campanha eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula, estreitou laços com lideranças conservadoras regionais, incluindo o argentino Javier Milei e o equatoriano Daniel Noboa. O então candidato também cultivava proximidade com os Estados Unidos sob Donald Trump, que sinalizava apoio à candidatura bolsonarista.
Apesar do domínio da direita no continente, fontes diplomáticas indicam que as relações brasileiras com países vizinhos não devem sofrer alterações significativas. O pragmatismo econômico deve prevalecer sobre diferenças ideológicas. Logo após a vitória de Lula, líderes como o paraguaio Santiago Peña e o chileno José António Kast telefonaram para parabenizar o presidente eleito, demonstrando disposição ao diálogo.
No entanto, a ascensão de Trump representa desafio significativo para o governo petista. A administração americana tem ampliado cooperação militar com países alinhados à sua agenda, principalmente através da Coalizão das Américas contra os Cartéis (A3C), conhecida como Escudo das Américas, que já conta com 19 participantes incluindo Equador, Argentina, Colômbia, Chile e Peru.
O Brasil permanece fora dessa iniciativa e mantém posicionamento cauteloso quanto à expansão da presença militar estadunidense na região. Membros do governo Lula já afirmaram desinteresse em aderir ao programa, preferindo negociações bilaterais no combate ao crime transnacional. Analistas apontam que as relações com Washington constituirão o tema mais sensível do quarto mandato presidencial, especialmente considerando a política hostil do Departamento de Estado sob Marco Rubio.
Fonte: Metropoles Mundo
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